Por que profissionais de marketing e vendas que entendem de dados, estratégia e tecnologia estão em falta no Brasil

Entenda por que o profissional de marketing e vendas com dados, estratégia e tecnologia está em falta no Brasil, com números do mercado e como desenvolver esse perfil.

Escassez de profissionais de marketing e vendas com dados, estratégia e tecnologia

Sumário

O profissional de marketing e vendas que domina dados, pensa estratégia de negócio e ainda entende de tecnologia está em falta no Brasil porque o mercado formou esses três conhecimentos em compartimentos separados, e só recentemente passou a exigir os três ao mesmo tempo da mesma pessoa. Quem vem da comunicação aprendeu a contar história e pouco de estatística. Quem vem de dados aprendeu a rodar consulta e pouco de decisão de negócio. Quem vem de tecnologia aprendeu a integrar sistema e pouco do motivo pelo qual aquele dado importa para a operação comercial. Encontrar alguém que una as três frentes continua sendo exceção, não regra.

O tamanho da escassez, em número

A Pesquisa de Escassez de Talentos do ManpowerGroup mostra que 80% das empresas brasileiras relatam dificuldade para preencher vagas em 2026, acima da média global de 72%. Marketing e vendas aparece nominalmente entre as áreas mais difíceis de contratar, ao lado de inteligência artificial, letramento em dados e tecnologia da informação. A mesma pesquisa aponta São Paulo como o estado com maior dificuldade, 88%. Do lado da tecnologia isolada, o Brasscom estima cerca de 500 mil vagas abertas no setor de TI contra apenas 53 mil formados por ano com as competências exigidas, o que empurra empresas de todos os setores a competir pelas mesmas pessoas.

O detalhe que muda a leitura desse número: a escassez não é mais só de quem sabe operar uma ferramenta. É de quem consegue interpretar o dado, decidir o que fazer com ele e ainda operar a tecnologia que sustenta essa decisão. Faltar qualquer uma das três frentes já tira o profissional da faixa mais disputada do mercado.

O custo de operar sem esse perfil

Sem alguém que junte as três frentes, a operação de marketing e vendas cai num de dois problemas recorrentes. No primeiro, o time tem gente de dados, mas ela entrega relatório tecnicamente correto que a diretoria não sabe traduzir em decisão. O número existe, mas não muda nada. No segundo, o time tem gente de estratégia, mas decide por sensação porque ninguém ali sabe extrair ou confiar no dado disponível. Os dois casos custam tempo e dinheiro do mesmo jeito: decisão atrasada, oportunidade perdida no meio da demora, e um ciclo de contratação que se repete porque a vaga certa nunca aparece preenchida por completo.

Três frentes que viraram uma exigência só

Dados

Saber ler um relatório não é o mesmo que saber por que o número mudou. Um profissional orientado a dados entende a diferença entre correlação e causalidade, sabe quando um resultado é ruído e quando é sinal, e não trata percentual sem origem rastreável como fato.

Estratégia e negócio

Dado sem decisão de negócio vira gráfico decorativo. Quem só sabe rodar consulta, sem entender o motivo comercial por trás da pergunta, devolve números tecnicamente corretos que ninguém sabe o que fazer com eles. A pergunta que separa os dois perfis é sempre a mesma: esse número muda alguma decisão?

Tecnologia

O Panorama do Go-to-Market no Brasil 2026, produzido pela HubSpot, mostra que 96% dos profissionais de marketing brasileiros já usam inteligência artificial de alguma forma, e 35% já aplicam especificamente para analisar o desempenho de campanhas. Quem não acompanha essa camada de tecnologia perde a capacidade de fazer, na prática, o que o restante do mercado já faz: automatizar coleta, integrar sistemas e usar IA para interpretar um volume de dados que nenhuma pessoa dá conta de olhar sozinha.

Por que a formação tradicional não prepara para isso

Faculdade de marketing forma para comunicação e criatividade. Curso de dados forma para estatística e ferramenta. Curso de tecnologia forma para sistema e integração. Poucos programas ensinam as três coisas juntas, e o resultado é um profissional que domina uma frente e improvisa nas outras duas. Isso explica por que boa parte das empresas relata dificuldade tanto para contratar quanto para reter esse perfil: quem já une as três competências recebe proposta constantemente, e sair do emprego atual passa a ser mais vantajoso do que ficar.

Como desenvolver esse perfil, começando de dentro

A pesquisa do ManpowerGroup também mostra que a estratégia mais usada pelas empresas brasileiras para lidar com a escassez não é a contratação externa: é upskilling e reskilling do time que já existe, citado por 44% das empresas entrevistadas, à frente da busca por novos públicos de talento (25%) e da flexibilidade de local e horário (23%). Faz sentido: é mais rápido ensinar dados e tecnologia para quem já entende do negócio do que ensinar negócio para quem só entende de dados ou de tecnologia.

Duas frentes práticas ajudam esse desenvolvimento. Uma é organizacional: tirar o time da planilha manual libera o tempo que hoje vai para coletar e arrumar dado, e sobra para interpretar. A outra é o uso direto de tecnologia no dia a dia, como conectar um agente de IA aos dados da própria operação em vez de continuar exportando planilha para tomar decisão.

Formação formal também ajuda a fechar essa lacuna. A Open School Conexorama, escola aberta e gratuita de marketing, vendas e IA, é um caminho estruturado para desenvolver as três frentes ao mesmo tempo, sem custo de entrada.

Perguntas frequentes sobre o profissional de marketing e vendas orientado a dados

Esse profissional tem um nome de cargo específico?

Ainda não existe um cargo único e consolidado no mercado brasileiro. Aparece sob nomes como analista de growth, especialista em marketing de performance orientado a dados ou estrategista de dados de marketing e vendas. O nome do cargo varia mais do que a exigência em si.

Isso substitui o analista de dados tradicional?

Não. O analista de dados aprofunda estatística e engenharia com um rigor que o profissional de marketing não precisa ter. A diferença é que o profissional de marketing e vendas orientado a dados usa esse conhecimento a serviço de uma decisão comercial específica, não da análise pela análise.

Dá para desenvolver esse perfil sem trocar de emprego?

Dá, e é o caminho que a maioria das empresas brasileiras já está usando. Upskilling interno foi a estratégia mais citada na pesquisa do ManpowerGroup, à frente da contratação externa.

Foto de Eduardo Agustin Velardez

Eduardo Agustin Velardez

Profissional de marketing especializado em comunicação, marketing e tecnologia. CMO da Laiki e idealizador do método - "Métricas de Crescimento".
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