Para ver o tráfego de IA no GA4 você combina três coisas: o canal nativo AI Assistant, um grupo de canais personalizado para o que ele deixa de fora, e UTM nos links que a sua marca controla. Nenhuma das três resolve sozinha, e a soma das três ainda deixa uma parte do tráfego invisível. Este artigo mostra o que fazer e onde está o limite.
Vale começar pelo que mudou. Desde 13 de maio de 2026, o GA4 tem um canal padrão chamado AI Assistant, com disponibilidade ampla nas propriedades a partir de junho. Quando o referenciador bate com um assistente reconhecido, o Analytics grava o medium como ai-assistant e a campanha como (ai-assistant), sem nenhuma configuração da sua parte.
O que o canal nativo de tráfego de IA no GA4 cobre, hoje
Aqui vale a checagem que fizemos em 29 de agosto de 2026, direto na documentação oficial, porque essa informação mudou desde o anúncio.
A definição atual do grupo de canais padrão descreve o AI Assistant como o canal de usuários que chegam de fontes como ChatGPT, Gemini, Deepseek, Copilot ou Grok. O anúncio de maio citava ChatGPT, Gemini e Claude. A lista publicada mudou desde então, o que é o melhor argumento para você conferir a página antes de reportar qualquer número: ela evolui sem aviso.
Duas exclusões importantes estão na própria documentação:
As AI Overviews e o AI Mode do Google ficam fora. Eles são classificados como Organic Search, por definição oficial. Se você esperava ver a IA do Google nesse canal, ela não está lá.
O Perplexity não aparece na definição. Tráfego vindo dele continua caindo em Referral.
Por que o canal nativo não basta
Além da lista incompleta, há um detalhe que atrapalha a leitura histórica: o canal vale para frente. As sessões anteriores a maio continuam classificadas como Referral ou Direto, então a série histórica do seu tráfego de IA não se reconstrói sozinha.
É aí que entra o grupo de canais personalizado, que tem uma vantagem que o nativo não tem: a documentação do Google confirma que grupos de canais personalizados podem ser aplicados aos relatórios de forma retroativa. Você recupera o histórico e cobre as plataformas que ficaram de fora.
Como montar o grupo personalizado
O caminho é Admin, em Exibição de dados, e depois Grupos de canais. Você precisa de acesso de editor ou superior.
- Crie um grupo novo, que já nasce como cópia do grupo padrão.
- Adicione um canal e dê a ele um nome claro, como “Assistentes de IA”.
- Configure a condição com “corresponde a regex” e liste os domínios que você quer capturar.
- Salve o canal e depois salve o grupo.
A própria central de ajuda do Google traz um exemplo de regex para assistentes de IA, cobrindo ChatGPT, Gemini, Copilot, Claude e Perplexity. Vale usá-lo como ponto de partida e ajustar aos domínios que aparecem no seu relatório de Referral, porque a lista de assistentes muda.
Dois limites práticos: uma propriedade padrão permite apenas dois grupos personalizados, e a definição de canal não diferencia maiúsculas de minúsculas.
A pegadinha da ordem de prioridade
Esta é a parte que mais gente erra, e ela derruba a configuração inteira em silêncio.
O GA4 classifica cada sessão no primeiro canal cuja definição corresponde, seguindo a ordem em que os canais estão no grupo. Se o seu canal de assistentes de IA ficar abaixo de Referral, o Referral vai capturar as sessões antes, e o canal novo aparece vazio. Você conclui que não tem tráfego de IA, quando na verdade tem uma regra mal posicionada.
A orientação está na documentação: reordene a lista para que o canal de assistentes de IA apareça acima de Referral. Se precisar, ele pode ficar acima de Organic Search também.
Depois de reordenar, confira em Aquisição, no relatório de aquisição de tráfego, usando o seu grupo personalizado como dimensão primária.
UTM nos links que você controla
Nem todo tráfego de IA depende de referenciador. Quando você mesmo publica um link, seja em um material que será citado, seja em uma campanha, marque com UTM.
É a única camada do rastreamento que não depende do que a plataforma de IA decide enviar no cabeçalho. Sessão com UTM é atribuída pelos parâmetros que você definiu, e não pela regra de canal.
Se o padrão de UTM da sua operação ainda não está fechado, vale ler antes o guia sobre erros de nomenclatura que quebram o relatório, porque regra de canal montada sobre parâmetro inconsistente devolve número errado com cara de certo.
O limite honesto: parte disso continua invisível
Aqui é onde a maioria dos tutoriais para de contar a história. Três buracos permanecem depois de tudo configurado.
Sessão sem referenciador cai em Direto. Assistentes que abrem o link em navegador interno, ou que rodam no aplicativo, muitas vezes não enviam o cabeçalho. Nenhuma regra de canal alcança isso.
Resposta sem clique não gera sessão. Se a IA responde a pergunta usando o seu conteúdo e a pessoa não clica, não existe evento nenhum para medir. A influência acontece e o GA4 não vê.
A IA do Google está em outro canal. AI Overviews e AI Mode contam como Organic Search, então parte da sua exposição a IA nunca vai aparecer no canal AI Assistant.
A conclusão prática é que todo número de tráfego de IA no GA4 é um piso, não um total. Vale dizer isso em voz alta na reunião, antes que alguém tire conclusão de crescimento ou queda sobre uma base que muda de definição a cada trimestre.
Para reduzir o buraco do tráfego direto, o caminho é olhar o comportamento dentro do seu próprio site: quais páginas a pessoa visitou, em que sequência e com que frequência, independentemente de onde ela veio. O Lead Tracking da Laiki, hoje em Beta, existe para essa camada, e ele complementa o GA4 em vez de substituí-lo.
Perguntas frequentes
Preciso configurar algo para ver o tráfego de IA no GA4?
Para o canal nativo AI Assistant, não: ele é automático e já está nas propriedades. O que precisa de configuração é o grupo personalizado, para cobrir as plataformas fora da lista oficial e recuperar o histórico anterior a maio de 2026.
Meu canal de IA está vazio. É erro de configuração?
Pode ser ordem de prioridade, com a regra abaixo de Referral. Confira isso primeiro. Se a ordem estiver certa, também é possível que o site simplesmente não tenha recebido sessões com referenciador reconhecido no período.
Dá para separar quem chegou por IA e comprou?
Dá, desde que a origem seja preservada até a venda. O canal responde de onde veio a sessão; ligar isso ao que virou cliente depende de a origem acompanhar o lead até o CRM.









